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segunda-feira, 10 de maio de 2010


Quem nessa vida me amou com tanta força? Quem creu em mim mesmo nos momentos em que ninguém acreditou? Mesmo diante de uma fisionomia que abatia a ela mesma, encontrou força para lutar, para acreditar que seria capaz de encontrar a saída. Ainda que todos os especialistas diziam o contrário, que aquele problema nunca iria solucionar-se, mas se agravaria com meu crescimento, deixando traumas e sequelas.

Nasci com lábio leporino e palato fendido, e que dor cruel para uma mãe ter que engolir as dificuldades que encontrava no seu caminho! Foi ela que encarou meus primeiros problemas. Dentro de si, foi ela quem viu o olhar crítico das pessoas; foi ela quem teve que lidar com o problema de perto e, ainda assim, fazer-se de forte para toda a família.

Nas cirurgias, quando eu ficava cheia de medo, ela me amparava. Só mesmo ela podia trazer isso. Sua presença trazia certeza. Seu cuidado trazia proteção, e seu afeto trouxe uma segurança dentro de mim de que tudo iria terminar bem.

Quem me trouxe aqueles princípios morais que carrego até hoje? E por que suas palavras traziam tanto poder para dentro de mim? Porque ela era, e é equilibrada. Nada era motivo para deixá-la descontrolada, mesmo quando eu chegava de uma cirurgia e estava nervosa. Ela sabia controlar a situação; ela me apaziguava com seu jeito sábio de me ensinar. Ela sempre contornava a situação , fazendo minha irmã mais velha ceder suas vontades por minha causa.

Eu, com certeza, enfrentava momentos difíceis para uma menina de 5 anos, quando descobri as minha imperfeições físicas, e também que minha fala não era igual a das demais crianças. Que situação! Era um caos na minha vida. Conheci o desprezo e o preconceito dos demais, os que não eram da minha família.

E o que passou?

A minha amada mãe cumpriu o dever dela muito bem. Ela não sabia que eu enfrentava tais problemas na escola, e que me sentia um extraterrestre quando saíamos de casa. Ela sempre foi a mãe atenciosa, carinhosa e beijoqueira. Ela me fazia esquecer de todos os dramas vividos lá fora. Eu era amparada no meu lar.

Cresci em um lar cheio de abrigo, mas também de educação. Ela usava da sua autoridade para colocar limites, mas não parava por aí, ela trazia os princípios morais.

Foi ela quem me fez sempre perceber que era eu quem tinha que mudar, não os demais. Ela nos ensinou a valorizar aos demais, a apreciar o trabalho feito, a servir, a honrar, a amar sem limites e assim vai a lista!

Uma coisa que marcou muito nos ensinamentos dela foi isso, mas também o vigiar meu próprio instintos. Na verdade, foi ela o instrumento essencial para que eu chegasse a reconhecer que precisava de Deus.

Ela me fez ver a dura realidade – a verdade do meu eu doía muito, e muitas das vezes eu relutava dentro de mim com a verdade que ouvia, mas não tinha jeito –, os princípios estavam ali, e esses princípios foram o temor e respeito.

Minha querida mãe, quero que saiba que até hoje busco encontrar algo que demonstre minha gratidão por tudo que você foi e fez por mim. Você nunca morrerá dentro de mim! Nunca! Pode a minha vida ter uma reviravolta, mas seus conselhos seguirão fechados a sete chaves.

E sabe o que mais? Todos conselhos, um por um, só me fizeram bem! Te amo, e gritaria para todos ouvirem meu amor e apreciação por ti.

Só tenho um conselho para todas as filhas: honra teu pai e tua mãe, pois devemos a nossa vida aos sacrifícios delas!

Vivi Freitas

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