domingo, 30 de maio de 2010

Sexting: Não caia na rede!



O que Paris Hilton, a atriz de High School Musical, Vanessa Hudgens, e Ashley Greene, a vampira Alice Cullen, de Crepúsculo, têm em comum?

Todas tiveram fotos ou vídeos seus em momentos íntimos que foram parar na internet.

Há tempos essa tremenda saia-justa deixou o mundo das celebridades para alastrar-se como um vírus entre a galera.
O ato de fotografar ou filmar corpos nus ou seminus, e depois postar o resultado na internet, ganhou até um nome, que hoje é tema de pesquisas no mundo inteiro: sexting – junção de sex e texting, ou seja, sexo e envio de mensagem por celular.

Em uma pesquisa publicada em dezembro passado, nos Estados Unidos, ficou claro que o sexting é uma prática muito comum por lá. Segundo o estudo, um em cada cinco jovens americanos com idade entre 13 e 19 anos já enviou pelo celular algum tipo de foto ou vídeo de si mesmo nu ou seminu.

Entre a galera de 20 a 26 anos, o fenômeno é ainda mais comum: um terço dos entrevistados declarou já ter praticado o sexting. Por aqui, não há nenhuma pesquisa do tipo, mas não é preciso procurar muito para encontrar vários casos.

– É fato que o adolescente precisa da aceitação do grupo, e uma forma de conquistá-la é pela sua ousadia. E qual é o meio que a galera se comunica? É a internet. Então, a ousadia será, provavelmente, via internet – explica a terapeuta sexual Izabel Eilert.

O desfecho da historia na maioria dos casos nao e nada bom. O mais famoso – e trágico – rolou com uma americana de 18 anos que no ano passado suicidou-se depois que fotos suas nuas foram parar na internet. Um mês depois, uma italiana de 16 anos teve o mesmo desfecho.

Em entrevista à revista Veja desta semana, o americano Daniel Solove, autor de diversos livros sobre privacidade, alerta para o maior risco da superexposição da intimidade da gurizada: o arrependimento. Segundo ele, a galera que pertence à chamada “geração Google” terá seu passado acessível ao clique dos internautas, sem poder deletar os detalhes mais humilhantes. Tudo o que se faz na vida virtual pode impactar na vida real.

– Com a divulgação dessas imagens, a garota marca a vida dela. O problema é que ela não tem essa percepção aos 13, 14 ou 15 anos. A vida da guria, naquele momento, é o fulaninho que pediu pra fotografá-la ou filmá-la. Sem falar que os pedófilos estão ali esperando por este material. Mas o adolescente não tem a dimensão, a maturidade emocional e nem a experiência pra saber dessa malandragem – diz Izabel.

E por que o número de casos de fotos e vídeos íntimos que caem em domínio público só tem aumentando, já que todos sabem que essa história quase nunca tem final feliz? Para a terapeuta, o grande problema é a falta de limites da galera aliada a sua imaturidade.

– Hoje a galera pode transar via internet. Não existe mais censura e o sexo não tem mais limites definidos. Para eles, não têm limites. Esse é o grande risco – explica, acrescentando: – Sem falar que os jovens não tem maturidade pra avaliar o que é privado. O adolescente tem essa coisa onipotente. Ele transa sem camisinha, mas ele não pega nada. Ele usa drogas, mas eles não se vicia. Por isso, ele também mandam a foto, mas é só pro namorado, porque duvida que ela vá parar na internet.

Esta semana, quando publicou em primeira mão as fotos nuas da atriz Ashley Greene, o blogueiro Perez Hilton fez uma brincadeira que serve de alerta à galera:

– Não tire fotos nua a menos que você queira que sejam divulgadas, porque elas serão!!!

Não se esqueça: isso também é crime!

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), vender ou expor fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica de crianças e adolescentes pode acarretar até oito anos de prisão. Transmitir, distribuir, publicar, armazenar, entre outras coisas, também são proibidos.

– Toda e qualquer pessoa, pra acessar a internet, tem que estar veiculada a uma máquina. Essa máquina tem um IP, que a identifica. Hoje, existe a possibilidade de rastrear de qual IP saiu o material, além de os provedores serem obrigados a disponibilizar esses dados pra Justiça. Então, se existe essa sensação de impunidade, ela é uma falsa sensação, porque, de alguma maneira, a gente acaba chegando aos culpados – explica a delegada Suely Rech, da Delegacia para a Criança e o Adolescente de Caxias.

Caso a vítima seja maior de idade, os culpados respondem ao Código Penal.

– Ainda não existem crimes específicos para a internet, então se usa os crimes do Código Penal. Os casos que nós temos na Delegacia da Mulher são de algumas moças que tiraram realmente as fotos e outras de montagens feitas a partir de uma foto só do rosto da vítima. Então, esses casos podem ser enquadrados em crimes contra a honra. Mesmo se a moça tirou as fotos, não é permitido a ninguém divulgar suas imagens. Também é crime propagar essa informação – explica a delega Thaís Sartori Postiglione, da Delegacia para a Mulher.

Para Suely, o mais importante é não dar margens para o azar:

Para seu pai ler!

Você, pai ou mãe, provavelmente está lendo essa matéria e já está de cabelos em pé. É compreensível, já que uma situação dessas seria inimaginável até o surgimento da internet. Para a terapeuta Izabel Eilert, você não deve esperar seu filho crescer para impor limites. Como vocês mesmo costumam dizer, é de pequeno que se entorta o pepino.

– O adolescente, em geral, não ouve mais os pais. É a criança que devemos ensinar a pensar, para que depois não escolham o caminho errado. Tem que desligar a internet da criança e explicar por que aquilo é perigoso. Se a criança aprende a pensar, ela introjetou limites e não entra nessas roubadas – explica.

Sabemos que para vocês, papais, os filhos são sempre bebês. Mas seguem algumas dicas para você ajudar seu filho a não entrar nessa canoa furada.

>>> Converse com seu filho sobre o tema. Pergunte o que ele acha sobre esse fenômeno e quais as consequências que ele pode acarretar.

>>> É importante ter conversas com seus filhos sobre confiança e respeito e o que significa realmente confiar em alguém.

>>> Ajudar a aumentar sua própria auto-estima ressaltando suas qualidades. Provavelmente isso fará com que seus filhos não busquem reconhecimento lá fora.

>>> Conversar sobre sexo, ser aberto e honesto sobre o que está acontecendo com os adolescentes na atualidade.

>>> Mostre-lhe que a vida é feita de escolhas e que temos que arcar com as consequências. Sempre.

Histórias de que não tiveram final feliz

1) O caso mais famoso rolou em julho do ano passado, quando uma guria americana se suicidou depois de um escândalo de sexting. Jessica Logan, então com 18 anos, fotografou-se sem roupa e enviou pelo celular as imagens para presentear o namorado. Quando o relacionamento de dois meses terminou, o guri não hesitou em compartilhar as imagens com os amigos de seu colégio, na cidade de Cincinnati. A foto de Jessica percorreu sete colégios. Chamada de “piranha” e “vagabunda”, entrou em depressão e começou a faltar às aulas. Até que se enforcou. Seus pais lutam por uma legislação para julgar os desdobramentos do sexting.

2) Uma guria italiana de 16 anos, que teve suas fotos divulgadas na internet, teve um desfecho trágico em agosto de 2008, quando suicidou-se usando a arma de seu pai. Tudo começou em 2006, quando várias fotos intimas da garota vazaram na net. Na ocasião, a Justiça investigou vário

Fonte: Kzuka

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