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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sexo e Drogas


“Fui criada em um lar de constantes brigas. Meu pai era Policial Militar e viciado na bebida. Bebia tanto que caía nas calçadas, e eu tinha vergonha dele diante dos meus amigos. Devido ao vício, ele ficou louco, perdeu o uniforme e vivia hospitalizado em hospitais psiquiátricos. Ia amarrado em camisa de força.

Diante de toda aquela situação, vendo também o sofrimento da minha mãe, comecei a ficar deprimida e angustiada. Aos 15 anos, perdi a minha virgindade, então, a minha vida começou a resumir-se em sexo e drogas.


Nas drogas, fui uma das primeiras usuárias do “pico” (droga injetável na veia) nos anos 1980, assim que chegou ao Brasil. Quando eu injetava o “pico”, tinha alucinações. Passei a usar também a maconha, e quando a mesma não estava mais fazendo efeito, ingeria junto vários comprimidos de “Opitalidon”, “Fiorinal” e até mesmo “Diazepan”.

Lembro-me que quando eu estava querendo realmente me drogar, já perguntava à minha irmã que dia era aquele, e ela me dizia ‘sexta-feira’; quando eu voltava em mim já era segunda-feira e eu não lembrava de nada do que acontecera durante aqueles três dias anteriores.


No sexo, aos 16 anos, comecei a me prostituir, chegando ao ponto de ter contato sexual com vários homens em uma noite. Em época de carnaval, eu ficava com cinco homens em apenas uma noite, e era incluso no pacote várias bebidas, como Vodka, cerveja e uísque, fora as drogas como a maconha, lança-perfume e lóló (lança perfume). Eu sofria muito com aquela vida de prostituição, porque muitas vezes eu queria amar de verdade e, dependendo da pessoa, não tinha nem beijo na boca porque era apenas um cliente e nada mais do que aquilo. Muitas vezes, sentia nojo de tudo o que fazia; queria sair daquela vida e não tinha forças. Então, fiquei grávida sem saber quem era o pai. Com medo da minha mãe descobrir, fiz o primeiro aborto.


Diante de tudo isso, vieram as consequências: peguei doenças venéreas, e a minha mãe teve de gastar muito com o meu tratamento. Em minhas mãos começaram a aparecer umas manchas brancas. Minha mãe me levou ao dermatologista e ele falou: ‘sua filha está com vitiligo’ (doença que toma o corpo com manchas claras). Ela me levou em seis médicos e todos diziam a mesma coisa: ‘Não tem cura!’

Não suportando mais aquela situação de desemprego, vícios, angústia, depressão e desenganada pelos médicos, tentei o suicídio tomando vários comprimidos. Mas, graças a Deus, Ele já tinha um plano na minha vida. Saí daquela situação e consegui arranjar um namorado, que não sabia exatamente quem eu era. Engravidei novamente, e com dúvidas se ele seria de fato o pai, fiz o segundo aborto (ele nunca soube dessa gravidez). Conheci outro homem, também viciado nas drogas, e resolvemos nos juntar. Desse relacionamento nasceu minha filha. As únicas coisas que me prendiam a ele eram o sexo e as drogas; mesmo assim, não deu certo. Nos separamos e deixei minha filha, com poucos meses de nascida, com minha mãe, em Fortaleza; depois, resolvi vir morar em São Paulo.

Fui morar em São Paulo achando que a minha vida ia mudar. Chegando à cidade, fiquei sem ter onde ficar, passando fome e pedindo aos motoristas para subir pela porta da frente (pois eu não tinha dinheiro de passagem). Também ia a restaurantes e pedia comida, porque eu não tinha nem o que comer. Sentia saudades da minha filha, não tinha moradia e passava bastante fome. Assim eu fui seguindo a minha vida.

Lembro-me como se fosse hoje, numa noite muito fria, sentei em um banco no Metrô Santa Cecília com uma sacola e algumas peças de roupas. Eram quase 23 horas e apareceu um homem. Fui a um hotel com ele somente para ter onde dormir. Assim foram muitos dias indo a motéis somente para ter onde dormir. Até que, certo dia, eram 16 hs e eu não havia comido nada, comecei a chorar em pleno centro de São Paulo. Começaram a vir os pensamentos de suicídio e fui até o Viaduto do Chá. Pensei em pular para acabar de vez com tudo aquilo, pois estava completamente desesperada diante de tanto sofrimento e humilhação.

De repente, fui andando em sentido à Rua 25 de Março, com lágrimas nos olhos. Eu olhei e vi uma porta que tinha uma escada e uma seta escrito ‘Igreja’. Fui subindo as escadas e seguindo a seta sem saber de que se tratava da IURD. Ao término das escadas, de frente, olhei para o alto e li: ‘JESUS CRISTO É O SENHOR’. Foi tão forte, que eu caí em prantos no banco e chorei amargamente. Havia somente o pastor atendendo um senhor – não era hora de reunião. Ele veio ao meu encontro e lhe perguntei: ‘o que o senhor é aqui’? Ele disse: ‘Sou pastor’.

Abri o meu coração e falei: ‘se o senhor não me ajudar, vou tentar o suicídio hoje. Já tentei uma vez e não deu certo, mas hoje eu vou tentar até dar certo.’ Ele foi muito sábio; me ouviu. Eu estava em prantos. Ele chamou a esposa dele e me deram um copo de café com leite e um pão com manteiga. Comi desesperadamente. Ele me disse: ‘Essa comida vai perecer, depois vamos lhe dar um alimento que nunca mais você vai passar fome.’ Me orientaram como eu deveria fazer para que a minha vida viesse a mudar. Eles falaram do Senhor Jesus, das correntes de orações e depois fizeram uma oração forte, que fez com que o desejo de suicídio saísse imediatamente.

Saí dali aliviada, com uma força interior para continuar as lutas. Comecei a fazer as correntes; peguei o envelope do dízimo pela fé, porque eu continuava desempregada, e DEUS começou a abrir as portas de tal forma que cheguei a ter dois empregos na época.

Depois de 24 anos, estou aqui, relatando como cheguei à IURD e como está a minha vida hoje. Continuo vivendo ao longo desses anos no sacrifício. Sou uma mulher totalmente transformada. Sou livre de tudo aquilo que me oprimia. Livre das drogas, da prostituição. Sou curada e próspera, porém, de todas as mudanças que ocorreram na minha vida, o maior milagre que eu alcancei foi o MEU NOVO NASCIMENTO, O MEU ENCONTRO COM DEUS. Diante de toda essa renúncia, hoje eu coloco em prática o que o Senhor Jesus disse: 'Se alguém quer vier após Mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me’ (Lucas 9.23)”.

Na fé

Liduina Loureiro

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