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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mulheres em apuros



Foi uma viagem pesada. A aeromoça foi grosseira desde a partida até a chegada. Eu ficava imaginando o que aconteceu com esta profissão ao longo dos últimos anos, uma vez que costumava ser elegante durante a minha infância. Elas costumavam ser extremamente agradáveis, as suas roupas extremamente elegantes, e sua maneira de lidar com tudo no avião era extremamente graciosa. Por alguma razão, agora é como ter uma garçonete de mau humor servindo durante 10 horas seguidas.

Fiquei dizendo a mim mesma que eu não deveria me preocupar porque estaria de volta em casa e tudo seria ótimo.

Depois havia as malas. Elas estavam pesadas, muito pesadas para mim. Eu consegui arrumá-las, mas quando chegou a hora de colocá-las no carrinho, eu senti como se eu as estivesse jogando. O carrinho não ficava parado e o suor começou a escorrer da minha testa. Eu olhei em volta para ver se alguém poderia me ajudar um pouco, mas tudo que eu via eram pessoas apreciando cena em que eu parecia uma boba.

Ninguém ajudou e tudo levou mais tempo para mim naquele dia. Eu quis chorar. O que há com as pessoas hoje em dia? Onde estão todos os cavalheiros? Onde está o costumeiro espírito de colaboração?

Uma das piores consequências da libertação das mulheres é esta: os homens captaram uma mensagem indireta de que nós não precisamos mais deles. Sinto sempre isso em minha pele. Estou carregando um monte de malas e ninguém se oferece para me ajudar. Toda vez que preciso me sentar, ninguém se levanta para me oferecer o assento.

Graças a Deus eu tenho um homem que ainda vê a necessidade que tenho dele, e como eu preciso desesperadamente ser guiada por ele. Pelo menos ele carrega minhas malas, me oferece seu assento, e nunca me deixa carregar nada pesado.

Acho que nos dias de hoje temos que pedir ajuda, coisa que não precisávamos no passado. A boa notícia é que há poucos homens que ainda nos veem como damas. A má notícia é que eles estão em extinção.

Cristiane Cardoso

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