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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Carta de um viciado

Meu Pai, acho que ninguém faz seu próprio necrotério. Mas sei, como vai recebê-lo. Preciso de forças... Enquanto é tempo. Sinto pai que este será o nosso último diálogo.

Pai, é tempo de verdade, coisas que você nunca soube. Vou ser breve. O tóxico me matou. Conheci o meu assassino ao 15 anos. É horrível, pai.

Como iniciei?

Foi um cidadão elegantemente bem vestido. Apresentou-nos ao nosso assassino. O tóxico. Tentei, tentei mesmo recuar. Mas ele mexeu com meus brios. Disse que não era homem...

Ingressei no mundo da droga. De início, torturas, desvaneios; Depois escuridão. O vício estava presente em minhas ações. Depois a falta de ar, o medo, as alucinações. Picadas, nova euforia. Às vezes parecia ser mais gente do que os outros... e meus amigos inesquecíveis, inseparáveis, sorria, sorria...

Pai, no início, a gente acha tudo tão engraçado... é ridículo! Até Deus me parecia ridículo. Hoje, no hospital, reconheço, que Deus é o ser mais importante do mundo. Sem a ajuda de Deus, pai, não lhe estaria escrevendo.

Os jovens devem saber... Não posso dar três passos. Fico cansado. Os médicos afirmam que ficarei curado, mas no corredor vejo que balançam a cabeça negativamente.

Tenho 19 anos, pai! Ao senhor, meu último pedido. Mostre esta carta aos jovens que o senhor conhece. Diga-lhes que, em cada porta de colégio, cursinho, universidade, outros lugares, há sempre um senhor bem vestido, bem elegante, para apresentar o futuro assassino, o destruidor de vidas, que levará a loucura e a morte, assim como eu...
Pai, por favor! Faça isso... Antes que seja tarde de mais.

Perdão! Pai, for fazê-lo sofrer!

Este jovem era aluno do curso de engenharia mecânica da Universidade de São Paulo (USP). Ao terminar a carta teve poucas horas de vida.

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