domingo, 12 de junho de 2011




Foi difícil acordar naquela manhã de sábado. Carl queria ficar na cama. A semana tinha sido dura e, embora ele quisesse passar o final de semana com Anna, por alguma razão ele não se sentia bem com a ideia. Ao ver as horas no celular, percebe uma chamada não atendida. Foi então que se lembrou da ligação mais cedo, na verdade bem mais cedo.

Ele ouviu a mensagem e por um instante não conseguiu respirar. Lynn estava a caminho de casa e já eram 9 da manhã. Anna estava para chegar a qualquer momento, ele tinha que ligar urgentemente para ela.

Ela não atendeu e a ligação foi direto para caixa de mensagens. O que eu posso dizer para impedir de ela vir hoje?, pensou ele segundos antes de deixar a mensagem: "Oi Ana, aconteceu uma coisa e vamos ter que cancelar hoje. Me desculpe, espero não ter ligado tarde demais. Te ligo mais tarde." Desligou o telefone e tudo que restou foram esperanças, apenas esperanças.

Vestiu-se rapidamente, arrumou a cama e foi até o quarto de Lizzy com a intenção de fazer o mesmo, mas ela não estava lá, provavelmente a mãe já tinha cuidado dela.

Chegando na cozinha teve um choque: Anna já tomava café com seus pais e Lizzy.

"Bom dia Carl!", disse ela, levantando-se beijando-o no rosto. Carl não queria que ela tivesse feito isso na frente de todos, mas apenas disse "Bom dia". Voltando-se para Anna perguntou: "Você recebeu minha mensagem?"

"Que mensagem?"

"Deixei uma mensagem no celular."

"Ah, meu celular... acho que o deixei no escritório ontem, não consegui achar esta manhã. Queria te ligar para perguntar umas coisas antes de vir, mas... Por que?"

"É que... aconteceu uma coisa e eu queria saber se..."

A campainha toca interrompendo a fala de Carl. Sua mãe foi atender, mas ele tomou a frente.

"Pode deixar, mãe, eu atendo."

Seu coração estava acelerado. Se Lynn visse Anna iria entender tudo errado. Carl só não sabia por que estava preocupado, afinal ele partiu para outra e ela deveria saber. Mas algo dentro dele pensava o oposto.

Abriu a porta e sim, era ela! Estava magra, muito magra mas ainda muito bonita.

"Olá Carl."

"Oi, Lynn. Acabei de ouvir a sua mensagem."

Lynn não conseguia olhar em seus olhos, mas ele continuou.

"Lynn, agora não é uma boa hora pra você entrar, mas podemos ir a algum lugar e conversar."

"Vim para ver a Lizzy, não para conversar."

"Certo, tudo bem então. Você quer pegar suas coisas agora ou mais tarde?"

"Se você está preocupado sobre a Anna, não se preocupe, eu a vi chegando hoje de manhã."

"Ah... Bem, nós tínhamos planos pra hoje.." Sem terminar a frase, também não conseguia olhar para ela.

"Não vou atrapalhar. Só peça para Lizzy ir para o quarto para que eu possa ficar um pouco com ela, por favor."

"Claro! Entre. Você pode subir e eu levo a Lizzy em um minuto."

A casa estava bem limpa, melhor do que quando ela morava lá. Isso a deixou envergonhada, pareciam estar bem melhor sem ela. O quarto de Lyzzy estava diferente, não havia nenhum porta-retrato mas várias borboletas... "Ah, como seria difícil pra ela ver sua mãe de novo e depois vê-la partir outra vez. As lágrimas encheram seus olhos.

"Mamãe!" Lizzy gritou e correu para os braços de Lynn, deixando o pai na porta com uma sensação estranha... Ele queria fazer o mesmo, correr para os braços de Lynn, mas apenas fechou a porta, não tirando os olhos delas.

Ao descer as escadas, Anna o esperava.

"O que ela está fazendo aqui?"

"Ela só veio pegar umas coisas e ver a Lizzy." Carl não queria discutir sobre o assunto, na verdade, não queria nem conversar.

"Nós devíamos sair, só nós dois."

"Desculpe Anna, não acho que seja uma boa ideia nesse momento. Talvez uma outra hora, sim?"

"Carl, você ainda tem sentimentos por Lynn?"

"Anna, a gente pode conversar uma outra hora? Eu preciso ficar sozinho."

"Não, de jeito nenhum! Você prometeu que a gente ia aproveitar o dia hoje. Não acredito que ela vai arruinar nossos planos!"

Anna começou a chorar. O que ele iria fazer agora? Será que ela não podia simplesmente deixá-lo em paz? Qual o problema dessa mulher?

"Anna, agora não dá. Eu preciso ir. A gente se fala mais tarde."

Carl se trancou no escritório e deixou Anna no meio do corredor.

Da cozinha a senhora Sttaford observava tudo e foi até Anna.

"É melhor você ir e voltar depois."

"Mas não é justo!"

"Como você sabe o que é justo e o que não é? Aquela é a mulher dele... a mãe da filha dele. Será que você não entende?"

Anna foi embora sem dizer uma palavra. Do escritório, Carl vê seu carro partindo, mas não se importa, ele só consegue pensar em Lynn.

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