quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Suicídio: um milhão por ano



A cada 40 segundos uma pessoa se mata no mundo. Para a OMS, índices vêm subindo e a questão já virou problema de saúde. Países ricos como Japão e EUA têm estatísticas elevadas

Um milhão de pessoas acabam com a própria vida por ano. É o que indica o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre suicídio, divulgado em setembro passado, reunindo dados de 104 países. O número, segundo a entidade, supera o de vítimas de guerras e homicídios: é como se alguém se matasse, em média, a cada 40 segundos.
O número de vítimas de si mesmo é o equivalente a 0,01% da população mundial – estimada em 7 bilhões no fim do ano passado. O que, à primeira vista, pode parecer pouco é, porém, o equivalente a dizimar um país inteiro como o Timor Leste ou uma cidade grande como Campinas (SP) – ambos com pouco mais de 1 milhão de habitantes.
“E ainda existem entre 10 e 20 milhões que pelo menos tentam o suicídio. São pessoas que sofrem sérias consequências físicas e mentais. O problema é enorme e é da responsabilidade dos órgãos de saúde e da sociedade também”, alertou Shekhar Saxena, diretor do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da OMS em setembro, ao apresentar as estatísticas.
Um artigo da revista científica Lancet aponta ainda que o suicídio é a principal causa de morte entre jovens. Para as meninas entre 15 e 19 anos é, por exemplo, a primeira causa. O problema não está localizado. Ocorre em países ricos, como Japão (30 mil suicídios em 2009), e EUA (32 mil suicídios em 2005). Também aparece nos países pobres, como Sri-Lanka (5 mil mortos ainda em 1986), e emergentes, como a Índia, com a liderança em números absolutos, pela pesquisa de 2009 (mais de 127 mil óbitos).
A OMS não divulga como calcula o ranking mundial de incidência do suicídio, uma vez que cada localidade tem seus critérios de levantamento. De qualquer forma, aponta a Rússia (42 mil) e a Lituânia (1 mil), além de outros países do Leste europeu como palco das maiores taxas. Na América, Brasil (9 mil), Colômbia (2 mil) e México (4 mil) têm as menores taxas de suicídio.
Japão: IURD faz campanha ‘Fim ao suicídio’

O suicídio é um grande problema social no Japão. Essa tragédia envolve predominantemente jovens de 20 a 39 anos de idade. Em média, cerca de 71% são homens e mais de 57% estão sem emprego. Segundo psicólogos e autoridades, a longa recessão e o desemprego são dois fatores fortes para as altas taxas de atentados à própria vida.
Em 2011, o tsunami que devastou a região noroeste do Japão contribuiu, por exemplo, para a desesperança de quem perdeu tudo, a casa e familiares. O suicídio surgiu como uma saída para muitos japoneses. Diante desse cenário, a Igreja Universal realizou em 30 de dezembro uma reunião sobre o assunto no Grande Hotel em Hamamatsu, província de Shizuoka. O evento, denominado “Stop Suicide” (Fim ao Suicídio), teve o objetivo de combater esse flagelo da humanidade. Japoneses de várias províncias e pesssoas de outras nacionalidades (peruanos, filipinos, brasileiros) foram ao encontro, feito em português e traduzido simultaneamente para o japonês e para o inglês.
O bispo Marcelo Rocha, responsável pelo trabalho evangelístico do Centro de Ajuda da IURD no Japão, explicou o motivo de milhares de pessoas atentarem contra a própria vida, esclarecendo perguntas como “O que é o suicídio?”, “Por que as pessoas se matam?”, “O que fazer para vencer os pensamentos suicidas?” O bispo deu dicas sobre como vencer esses pensamentos negativos e destacou o valor da vida. “Qual é o valor da sua vida? O diamante The Cullinan é o terceiro mais caro do mundo, custa 400 milhões de dólares. Porém, para Deus a sua vida é inestimável”, destacou. Na oportunidade, ele ainda chamou ao palco crianças – vestidas com quimono (roupa tradicional japonesa) – e enfatizou que elas são o futuro do país. Em seguida, orou por todos.
Após o encontro, Sônia Okuyama, que tentou se matar várias vezes, contou como superou esse tipo de crise existencial grave. “Os pensamentos de suicídio eram constantes, várias vezes estive a ponto de cometê-lo. Certa vez estava a ponto de pular de uma ponte, mas o meu celular tocou. Era o pastor me ligando e me convidando para ir à igreja. Foi então que desisti e voltei para casa. Comecei a ir às reuniões e, ouvindo a palavra de Deus, venci esses pensamentos ruins e aprendi a me valorizar. Hoje, minha vida tomou outro rumo, sou feliz de verdade”, disse.
O casal Daniel e Gisele Takihama (foto à dir.) destacou importância do evento. Gisele disse que, ao chegar ao Japão, pensava muito em suicídio. “Uma vez saí determinada a me matar, mas algo me fez desistir. Acho que foi Deus. Hoje, eu sei como é importante conscientizar as pessoas que há esperança, uma saída. Saí do evento muito feliz e com a certeza que a minha vida tem valor.”

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