quinta-feira, 1 de agosto de 2013

As tribulações São elas que nos fazem crescer espiritualmente e formam em nós o caráter do Senhor

Senhor

Por bispo Edir Macedo / Foto: Thinkstock

São as tribulações que nos fazem crescer espiritualmente e formam em nós o caráter do Senhor. A tribulação está para o cristão assim como o fogo está para o ouro: quanto maior a tribulação, maior a purificação. As tribulações as quais nos referimos são exclusivamente os sofrimentos que passamos por causa da fé cristã, como injustiças, calúnias, perseguições, difamações, desprezo, falsidade daqueles que fingem ser irmãos, zombarias, enfim, tudo aquilo que sofremos por assumir a fé cristã. É verdade que muitas vezes somos levados a circunstâncias tão difíceis e tão humilhantes, que chegamos ao cúmulo de pensar que o Senhor nos abandonou. Mas é justamente o contrário: quanto maior a tribulação, mais próximos dEle nos encontramos.
Por outro lado, também sabemos que nada neste mundo passa despercebido aos Seus olhos. Então, a pergunta é: Por que Ele não nos livra do cálice de sofrimento e dor? Ele mesmo responde, por intermédio do apóstolo Paulo: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.” Romanos 5.3,4
É óbvio que Deus permite que todos os que são realmente dEle passem pelo crivo das tribulações, para o seu próprio benefício! Do contrário, Ele jamais permitiria! Além do mais, se não houver tribulações não haverá perseverança, não haverá experiência e muito menos esperança. A falta de tribulações neutraliza a ação da fé e, como consequência, faz o cristão se acomodar. A igreja de Éfeso não tinha tribulação, e em razão disto estava em perigo de morte, pois na sua autossatisfação espiritual, devido às suas obras, tinha abandonado o seu primeiro amor. O único aspecto negativo das tribulações é aquele momento de tortura pelo qual passamos, que pode durar algumas horas, dias ou semanas. Já o aspecto positivo são os frutos que se colhem mais tarde, por toda a eternidade.
Estes frutos são permanentes, pois a tribulação é que provoca a manifestação da fé. E esta, uma vez acionada, obriga o cristão a reagir e sair da prostração espiritual. Também está prometido: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.”. 1 Coríntios 10.13
O mesmo será com respeito às tribulações, ou seja, Deus não permitirá que sejamos atribulados acima das nossas forças; pelo contrário, juntamente com as tribulações Ele nos proverá livramento, de sorte que as possamos suportar. Com isso conseguiremos perseverança, experiência e, finalmente, esperança. O Espírito Santo, por intermédio do apóstolo Pedro, acrescenta:
“Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma.”. 1 Pedro 1.6-9
As nossas tribulações provam o valor da nossa fé, o qual, uma vez confirmado, vem redundar em louvor, glória e honra na revelação do nosso Senhor. E o objetivo final da nossa fé é a salvação eterna da nossa alma. Ao contrário da igreja de Laodiceia, que era rica (Apocalipse 3.17), vemos a pobreza da de Esmirna: “Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás” . (Apocalipse 2.9).
Esta pobreza identifica a condição econômica dos seus membros, o que nos faz crer que estes cristãos estavam dispostos à renúncia dos bens materiais, em função de uma vida cristã simples, destituída de qualquer ganância pessoal. De fato, a sede pela posse de bens materiais tem sido um verdadeiro laço diabólico para os cristãos desavisados, pois se agarrar às riquezas materiais tem sempre a pobreza espiritual como consequência. É o caso da igreja de Laodiceia, por exemplo. A sua riqueza tomou o lugar do Senhor Jesus.
Muitos cristãos talvez digam que isso nunca vai acontecer com eles. Mas, de repente, pode já ter acontecido! O simples fato de uma pessoa estar ansiosa ou preocupada com a aquisição de algum bem material já é uma grande barreira no seu relacionamento com Deus. Sim, pois poderá ela receber o batismo com o Espírito Santo estando ansiosa ou preocupada com qualquer coisa deste mundo? É claro que não!
Sendo assim, alguém poderá pensar que a riqueza não é uma coisa boa para o cristão. Não é isto que estamos falando, mas sim que a riqueza, principalmente, ou qualquer outra coisa, não pode interferir no relacionamento íntimo com Deus e esfriar o primeiro amor. No ministério terreno do Senhor Jesus, temos dois grandes exemplos: o jovem rico e Zaqueu. Para o primeiro, o Senhor disse: “...Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-Me. Tendo, porém, o jovem ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades.”. Mateus 19.21,22
As suas muitas propriedades impediram aquele jovem de ser perfeito, ter um tesouro nos Céus e seguir ao Senhor Jesus. Mas com Zaqueu foi totalmente diferente. Quando o Senhor Jesus estava na sua casa, ele, que era o chefe dos coletores de impostos, e, portanto, um homem muito rico, levantando-se disse: “...Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão.”. Lucas 19.8,9
Verificamos, assim, que a riqueza do jovem rico lhe serviu como um laço no coração, impedindo a sua entrada na vida eterna. Já a riqueza de Zaqueu não o impediu de abraçar a fé no Senhor Jesus, porque o seu coração não estava amarrado a ela. Ai daquele que tem o seu coração preso às coisas deste mundo! A igreja de Laodiceia se encontrava em profunda pobreza espiritual, pois estava amarrada à riqueza material.
Em contrapartida, a igreja de Esmirna estava vivendo em tribulação e pobreza, por estar agarrada às coisas espirituais. Temos aqui, portanto, os ricos pobres de Esmirna e os pobres ricos de Laodiceia. A igreja de Esmirna tomou sobre si, voluntariamente, a tribulação e a renúncia, porque amava ao Senhor Jesus acima de tudo. Por isso mesmo ela é uma das igrejas que o Senhor não teve de repreender; pelo contrário, Ele a fortaleceu e estimulou, tendo em vista as situações difíceis pelas quais ela ainda teria de passar: “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”. Apocalipse 2.10
A fidelidade que o Senhor Jesus requer de nós não é só a de mantermos a nossa confissão de fé cristã até a morte, não, mas também a de mantermos o exalar do Seu perfume durante toda a nossa vida. Como? Por meio de um comportamento cristão de verdade, pois Ele deseja que os incrédulos vejam a Sua divindade através de nós, não apenas com palavras, mas, sobretudo, com atitudes cristãs cristalinas. Não é de admirar que para aqueles cristãos de Esmirna a promessa aos vencedores seja tão reduzida: “...O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte” Apocalipse 2.11
Existem dois tipos de morte: a física e a “segunda morte”, a espiritual. Quem nasce uma vez, tem de morrer duas vezes, mas quem nasce duas vezes morre uma vez. Vejamos: Aquele que recebe somente a vida física de sua mãe, e, portanto, nasce só uma vez, morre duas vezes: a morte física e depois a morte espiritual, isto é, a que não tem fim. Tal pessoa sofre as torturas do lago de fogo por toda a eternidade. Quem, por sua vez, nasce duas vezes, física e espiritualmente, pela fé no Senhor Jesus Cristo, recebe a vida eterna. Por isso morre somente uma vez. Esta morte única nada mais é que retornar à Casa do Eterno Pai.

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