quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Carta à igreja em Esmirna O sofrimento pelo martírio era uma de suas características

“Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver: Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás. Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte.”. Apocalipse 2.8-11
Embora Esmirna fosse uma rica cidade comercial da Ásia Menor, a igreja cristã que havia nela era pobre e perseguida. Esmirna significa “mirra”, e também “amargura”. No Antigo Testamento, a mirra precisava primeiro ser triturada, para depois ser oferecida como aroma agradável sobre o altar do incenso, que era de ouro. O sofrimento pelo martírio era uma característica da igreja em Esmirna, pois o seu fundador, Policarpo, chegou a ponto de ser queimado vivo sobre o monte chamado Pagus. Naquela altura, ofereceram-lhe a liberdade se amaldiçoasse o Senhor Jesus. Ele, porém, respondeu: “Há oitenta e seis anos sirvo ao Senhor, e Ele só me tem feito bem. Como poderia eu, agora, amaldiçoá-Lo, sendo Ele o meu Senhor e Salvador?”
Mais tarde, naquele mesmo monte, aproximadamente mil e quinhentos cristãos foram executados. E algum tempo depois, mais oitocentos. Essa mesma história tem-se repetido através dos séculos. Não mais por parte de imperadores políticos, mas religiosos. Todas as vezes em que o cristianismo evangélico avançou na Europa, imediatamente surgiu um plano diabólico, por parte de lideranças religiosas, a fim de impedi-lo pela força, violência e crueldade.
Foi assim que nasceu a Inquisição na Espanha, nos séculos XVI e XVII; o massacre da noite de São Bartolomeu, na França, em 1572; na Boêmia, em 1600; na Áustria; na Hungria; na Polônia; na Inglaterra e muitas outras nações. A História registra que nas perseguições aos evangélicos cerca de sessenta e oito milhões de pessoas foram martirizadas. Mais que dez vezes o número de judeus mortos na Segunda Guerra Mundial. E todos esses cristãos poderiam ter sobrevivido se tão somente negassem a fé no Senhor Jesus Cristo e se submetessem à autoridade daquele que se julgava o líder religioso de todo o mundo, considerado pelos seus seguidores até mesmo como infalível.
Em vez do conhecimento das obras da igreja de Éfeso, o Senhor Jesus Se dirige à igreja de Esmirna dizendo:“Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás” Apocalipse 2.9
Vejamos, então, as características desta igreja:
1) Tribulação.
2) Pobreza material.
3) Riqueza espiritual.
Interessante notar que a igreja de Éfeso apresentou obras e foi censurada, enquanto a de Esmirna aparentemente não apresentou obras, e não foi censurada. Por quê? Porque Éfeso caracterizava quantidade e Esmirna qualidade. Esmirna estava sendo triturada pela perseguição, e, sem querer, os seus perseguidores faziam-na apresentar maior qualidade de obra, ou seja, o seu caráter e a sua fidelidade ao Senhor Jesus Cristo! O fato de ela suportar todo o tipo de tribulação aprimorava o seu testemunho do Senhor. A sua atividade se assemelhou à do Senhor Jesus, que realizou a maior obra, deixando a ação por conta dos inimigos. Quando Ele começou a Sua maior obra, disse aos que foram prendê-Lo: “Diariamente, estando eu convosco no templo, não pusestes as mãos sobre mim. Esta, porém, é a vossa hora e o poder das trevas.” Lucas 22.53
E, estendendo as Suas mãos, deixou-Se prender. Diante de Pilatos, Ele disse: “...Nenhuma autoridade terias sobre Mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem Me entregou a ti maior pecado tem...” (João 19.11). A ação, portanto, foi entregue a Pilatos, para que o Senhor Jesus pudesse realizar a maior obra.
Sabemos o quanto é difícil permitirmos a ação da injustiça, mas precisamos aprender a fazer isso, para que possamos ser instrumentos de algo maior. Devemos deixar que nos seja tirada a iniciativa, a capacidade de agir, de nos defender, para que o nosso Senhor tenha a iniciativa de agir e nos defender.

Nenhum comentário:

Postar um comentário